Com a participação de 50 pessoas, a pré-conferência em Montes Claros debateu os 5 eixos temáticos que abordam aspectos centrais da trajetória das sobreviventes após a denúncia da violência de gênero (proteção integral; acesso à justiça; rede de atendimento e saúde; autonomia econômica e comunicação, cultura e enfrentamento da culpabilização). A partir das reflexões construídas coletivamente, foram identificados problemas, causas, consequências e propostas de enfrentamento como: a construção da Casa da Mulher Brasileira, reunindo em um único espaço os diversos serviços de atendimento às mulheres em situação de violência; a elaboração coletiva de protocolo e fluxograma municipal de enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas; a fiscalização efetiva do cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência; a mobilização articulada da rede para alcançar meninas e meninos, promovendo processos formativos voltados à prevenção e ao enfrentamento da violência de gênero; e a implementação de uma política municipal de economia solidária capaz de atender mulheres em situação de vulnerabilidade, fortalecendo sua autonomia econômica e suas condições de vida.
São Romão foi um momento único para conhecer, ouvir e compreender a realidade das mulheres e meninas daquele território. Com 44 participantes, a dinâmica da Árvore de Problemas identificou demandas e propostas de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas: criação do Conselho da Mulher no município e de uma Casa de Apoio/Abrigo para mulheres em situação de violência; credenciamento do hospital municipal para atendimento especializado às vítimas de violência sexual e instalação de uma Sala Lilás hospitalar, com adoção de práticas integrativas nos serviços de saúde; estruturação de programas de inserção da mulher no mercado de trabalho, formação profissional e incentivo à complementação da escolaridade; divulgação de ações para quebrar a cultura machista, conscientização da família e no ambiente escolar e estruturação do fluxo de atendimento às vítimas, com foco na redução da revitimização e na garantia de acompanhamento integral. Um dos momentos mais marcantes do encontro foi o compartilhamento de depoimentos que revelaram o medo das mulheres em levar denúncias adiante por temerem pela própria vida e pela segurança de suas famílias. Esse relato reforçou a urgência da criação de espaços seguros de acolhimento e de políticas públicas estruturantes no município.